outubro 27, 2007
Aqui Jaz Dom Quixote - O fim
Aqui jaz fidalgo forte
que a tanto extremo chegou
de valente e de tal sorte,
que a morte não triunfou
de sua vida na morte.
Teve todo o mundo em pouco,
a aventesma foi por troco
do mundo, em tal conjuntura,
que houve por sua ventura
morrer cordo e viver louco.
Miguel de Cervantes
Aqui termina a longa caminhada de quase quatro anos de aventuras e desventuras.
Termina esta caminhada, porque o Dom Quixote já não se encaixa nos novos tempos. Os tempos em que a poesia fica nas prateleiras das livrarias, o tempo em que amor é confundido com doença, a paixão é vivida sem surpresa e ideal.
Porque ainda defendo que a vida tem de trazer uma novidade todos os dias, assim se defende o brilho nos olhos das pessoas e o mundo ainda é feito por pessoas.
Outro motivo para o encerramento, prende-se com a imagem que este blogue suscita em mim desde o seu nascimento até hoje.
Sei que ainda nos vamos encontrar em qualquer esquina da paixão, o mesmo quererá dizer, da blogoesfera.
Antes da despedida, uma palavra aos que tiveram paciência a ler-me. A todos quantos conheci, TODOS boa gente do meu Portugal que adoro mas também fora dele o que demonstra que a internet e toda esta esfera global pode trazer muitas coisas boas.
Como se de uma madrugada sorrateira se tratasse...
Temos estradas que não usamos,
Somos loucos
Lindos e soltos
Voamos.
Hora do Óbito: 22:08h
Sem ressuscitação possível
outubro 22, 2007
outubro 17, 2007
"Sabes que dia é hoje?"
Fomos tu e eu,
de lógicas ilógicas surreais
dos pisos e tectos
das feições iguais
convocados extraordinariamente
nesse acaso de bola de trapos.
Fomos tu e eu,
juntos quase sem mexer os lábios,
constrangidos por acto teatral
representado sabe-se lá porquê.
Lembras...
fomos tu e eu,
com um ou dois beijos entre o primeiro
e último anunciado e escrito e revoltado
fomos dois junto ao mesmo rio,
foste tu e fui eu...
que era o teu melhor amigo,
fosse talvez o melhor amante,
porque fui tu e eu,
perdidos no cansaço entre riscos e rabiscos
entre explicações sem explicação,
perdidos num acto repetido.
Fui eu contigo,
nas coincidências felizes e infelizes
nas cumplicidades implícitas não concretizadas
num amor contado pelos dedos sem nunca dar as mãos
no fundo foste tu e eu,
numa esperança de acabar um poema,
que não acaba
porque nem tudo tem de ser melódico
mas foste tu eu,
os diferentes iguais
os resumidos do costume
que tinhamos a melodia
e não a tocámos.
Hoje sou apenas eu
de lógicas ilógicas surreais,
acusado de doença sem cura
pelo próprio antídoto.
Bom dia do outro lado do mundo.
outubro 16, 2007
ainda guardo...
a folha de um bloco de notas que continua em branco, como se esperasse um poema final.
Bom dia mundo
outubro 12, 2007
A XANA GOSTAVA DO JOÃO QUE GOSTAVA DA CARLA...
... a qual se mostrava pouco estável nos seus amores, para não dizer fugidia.
O João, desesperado, não tinha outro remédio senão carpir a sua paixão nos ombros de Xana. Xana era morena tranquila, , boa ouvinte, pouco faladora, dada à escrita e ao desenho rabiscado no seu diário. Quanto à Carla, sabemos que era loira, e tudo o resto iremos saber à medida Xana se transforma sob a pressão do discurso lacrimoso do João.
Sete semanas ouviu Xana a exaltação da doirada beleza da Carla, dos seus graciosos meneios, da arte do bate e foge, do sedutor discurso existencial que soterrava o mais fino - e interessado - argumentado. Os diários de Xana começaram a encher-se de esboços de rostos femininos de claros cabelos, de sedutoras poses, de estranhas palavras e de imaginárias aventuras transgressivas. Ao fim de um mês, os cabelos da Xana estavam pintados de loiro. As suas vestes, até então discretas, tornaravam-se pouco a pouco exuberantes, sempre antecipadas por esboços no seu diário.
A fala da Xana adaptou-se ao discurso aprendido, o seu corpo adaptou-se à pose estudada. Desbragou-se na fala, feita de circunstanciais sentimentos à solta. Começou a sair sem destino, mergulhou à procura das luzes que a noite trazia escondidas. Com muitos falou e bebeu. Memórias, poucas. Fez de cada dia um presente, que é como fazer dos dias um passado que efectivamente passou. Inconstante e pouco disponível, aprendeu a deixar os outros sequiosos de um futuro que nunca existira. E aprendeu também como isso lhe disponibilizava uma corte de amigos sempre à sua espera. Gostou.
O João assustou-se. Não sabendo mais o que fazer, nostálgico do ombro acolhedor e discreto que suportava as angustiadas investidas à volta da Carla, afastou-se. Mas a Xana não parou. A asa do nariz ostentava agora um piercing. O outro só era visível quando, noite fora, nas discotecas, exibia as contorções do ventre. Dos outros não sabemos, mas sabemos que ela passou a acompanhar bandas musicais , mascote e figurante às ordens de personagens célebres, reis do palco e da efemeridade.
Tudo isto foi há 20 anos. Hoje, o João é contabilista. A Carla, vencida, casou com ele. Têm uma filha, por sinal morena, estudiosa, discreta e atenta aos amigos. Não se dá bem com a mãe, a quem acusa de se ter deixado vencer pela vida. A bem dizer, a Carla acomodou-se ao marido. É professora na escola da filha, frequenta a pastelaria com as colegas, deixou-se engordar e guerreia-se naturalmente com o Conselho Directivo. Em compensação, a vida é relativamente desafogada.
A Xana mudou de poiso. Foi para a capital, onde dirige uma empresa de marketing. Está satisfeita com o seu trabalho, tem um relacionamento estáve com um artista um pouco mais novo do que ela, mas não tem filhos. Até agora preservou a sua independência acima de tudo. Perto dos 40, está indecisa entre assumir uma gravidez de risco ou adoptar uma criança. O namorado tem dois filhos de um anterior casamento, mas poucos se dá com eles.
Há uns dias cruzou-se com o João, a Carla e a filha num shoping de Lisboa. Mas os reconheceu. Eles, também, não deram por ela, de modo que os pôde espiar, ao longe quando os apanhou de costas. A Carla, gorda, o João, careca. Não queria acreditar que foram estas as persongens que mudaram a sua vida. A lembrar o passado, apenas aquela miúda graciosa mas discreta, projecto de futuro em aberto. Gostaria, sim, de falar com ela, e essa ideia perseguiu-a toda a noite.
Chegada a casa, tomou uma decisão: vai deixar de tomar a pílula.
in Quem nos faz como somos, J.L. Pio Abreu
Publicações Dom Quixote 2007
Bom dia Blogomundi

Escultura de javali achada nas Cabanas de Baixo (Moncorvo) em 1895, actualmente no Museu Nacional de Arqueologia. Desenho do Prof. Santos Júnior
PARM já tem blog e passa a figurar nos links Dom Quixote.
Bom dia Mundo.
outubro 11, 2007
Je T'aime... Moi Non Plus
O Dr Barroso deve ter passado pelo Dom Quixote e recordou Jane Birkin e o grande Serge Gainsbourg.
Se existe uma crise de valores nesta velha Europa e principalmente neste país, faço a vontade ao Dr Barroso e publico o Je T'aime... Moi Non Plus.
outubro 09, 2007
sugestão

Jane Birkin - Arabesque (2002)
A sonoridade orientalmente mais bem conseguida deste lado do mundo.
Um disco para viajar na cumplicidade de corpos.
outubro 08, 2007
Os poemas foram-se com o amor e... os lobos
Jim - All the poems have wolves in them.
All but one.
The most beautiful one of all.
"She dances in a ring of fire
and throws off the challenge
with a shrug."
Pam - That's beautiful....Who did you write that for?
Jim - I wrote it for you.
Who really cares about poetry if love kill them all?
Temos estradas que não usamos,
Somos loucos,
Lindos e soltos
Voamos.
setembro 30, 2007
na terra dos sonhos e dos contos
Conheci Sorrisinho.
É personagem encantada
de uma história que não foi escrita em papel,
mas que se desenha com o seu próprio sorriso
nas ondas da brisa e nas ondas do mar.
Sorrisinho não é poema de tinta.
É poema que a natureza desenhou
nas curvas do seu corpo projectado no brilho do seu olhar.
Sorrisinho é vontade de abraçar...
É vontade de beijar,
seus olhos pequeninos
e rasgados...
Não.
Jamais Sorrisinho poderia ser poema no papel.
Sorrisinho é livre, aparece nos meus sonhos
e escreve-se em contornos que a tinta
não pode descrever.
setembro 24, 2007
The Special One Portugal
Há muito que me excuso neste espaço a proferir algum comentário sobre questões que movimentam a actualidade informativa.
Assim sendo espreito uma janela de oportunidade mas também um misto de inquietude interior para publicar este post sobre uma série de questões pouco claras para uns, embora normalmente aceite pela retina de outros. Valha a democracia e a pluralidade.
Quem vê TV e lê jornais constata que desde Maio existe apenas Madie, Scolari e Mourinho.
No último caso, existe até na minha opinião um sindroma de subserviência. Onde estarão as empresas de análise de notícias que apareceram em tantos estudos de qualidade informativa?
Tomando como exemplo a televisão e o canal público, é de referir o tempo gasto no despedimento de Mourinho. Honras de abertura e repetições da entrevista que Mourinho deu em exclusivo ao canal do estado em noticiários e até, imaginem, em especiais de informação como aquele que aconteceu neste Domingo ao final da manhã. Bom mas nesse particular, temos constatado que a RTP adora repetições. Repete desde concursos sem interesse nenhum até às festas de "umbigo" exaustivamente. Isto é mesmo o reflexo do canal público que VOLTÁMOS a ter. É um "Só visto" de manhã à noite.
Pergunto: é esta a televisão de serviço público? O que não passa, para passar Mourinho? Ou... tudo o que se passa, passa ao lado da actualidade informativa mas porém, um homem de ego quase doentio que consegue afirmar que é a Selecção Nacional de Futebol que tem de esperar por ele e que basicamente, PORTUGAL não o motiva, que faz honras de abertura de um telejornal?
Estarei doente? Ou será que o espírito doentio se apoderou dos portugueses que não exigem mais do que apenas um homem egocêntrico se apodere da actualidade informativa?
Contra os meus argumentos poderá até contrapor-se o facto de o Primeiro-Ministro inglês ter comentado a saída de Mourinho daquele clube de Londres gerido por um magnata russo. Se calhar até nisso a doença se transforma em special news. Até porque sabemos que a imprensa inglesa tem tanto de espectacular como a portuguesa. A única diferença é que a imprensa lusa ainda se enche cheia de moral para criticar a britânica, basta lembrar os "comentaristas" sobre o caso Madie.
Às tantas, a imprensa portuguesa é tal e qual a britânica ou um pouco pior. Mas pior ainda, é vestir a camisola lusa quando o orgulho está em causa. E lá se vão os valores do jornalismo.
A nossa capacidade para reter os acontecimentos varia com a oferta (escrevo isto de uma forma algo redutora mas ainda assim aceitável tendo em conta o panorama).
A TV passa Mourinho. Os comentadores falam de Mourinho, os políticos falam de Mourinho. Chamem Mourinho.
O homem disse que em caso de desespero nunca virava as costas a Portugal.
Haverá um Portugal mais desesperante que este, que não se consegue discutir-se a si próprio? Não se consegue resolver a si próprio?
Chamem Mourinho para combater o que de mau se passa neste país;
Os problemas de insegurança, o desemprego, a justiça, a saúde e o problema sério da comunicação social e dos fazedores de opinião. Ou naõ existem problemas e assuntos sérios dignos de abertura de telejornal?
Chamem o homem feito deus, imagem que próprio deus repudia nos tais mandamentos que muita gente acredita e catapultado para o centro da actualidade. Chamem-no.
Mas se calhar Mourinho não resolve.
Mourinho é só e apenas um treinador de futebol. Muito bom treinador de futebol e que mesmo assim, só conseguiu vencer competições internas em Inglaterra, e que por um clube de bairro em Portugal, de nome F.C. Porto, consegui vencer duas competições internacionais.
Estaremos num país Sócratico? Ou estaremos de novo deslumbrados por um império de visões paradisíacas e com a bandeira à janela mas com os olhos bem fechados?
Bom dia mundo
setembro 20, 2007
Por isso os Contos são sempre do outro mundo

«as histórias arranjam sempre maneira de pôr tudo de pernas para o ar. Ou não fossem histórias...» António Torrado
setembro 18, 2007
setembro 17, 2007
Aqui deste lado do mundo
Um dia fica por cumprir
o algo que fica por dizer
Somos lindos
Soltos voamos.
setembro 14, 2007
Bom dia mundo
No fim do verão fica aquele sentimento saudosista de encontrar alguém num qualquer sítio deserto de movimento.
Fica uma promessa no ar, que um desses dias virão dias mais cinzentos e o frio poderá apoderar-se dos ossos mas a alma essa mantém-se aquecida, por essa promessa.
Não sabemos bem o que fica prometido mas a verdade é que algo expectante vem com novas brisas.
Bom dia mundo.
Voamos?
setembro 11, 2007
setembro 06, 2007
setembro 04, 2007
aquelas coisas
Se o Dom Quixote recuperou a iluminação tudo se deve a uma pessoa que num simples toque de magia, soube logo identificar o problema.
Quem sabe, sabe.
Ao P.A. agradeço este simples gesto (mas grandioso para mim, um leigo na matéria).
Não agradeço de forma mais directa porque não tenho a autorização necessária mas os agradecimentos ficam para a vida.
E voltamos a voar.
Iluminados, bem ou mal, mas iluminados novamente.
BOM DIA MUNDO
setembro 03, 2007
agosto 30, 2007
Tudo que se passa na noite...
Esta madrugada deitei-me ao som da TSF.
Há muito que teimava não o fazer.
Ai cinco anos da minha vida.
Quem diz que voltava a fazer tudo igual deve ser ignorante ou apenas um daqueles arrogantes sem conteúdo por quem as garotas deslumbradas e fáceis fazem horas extraordinárias.
Bom dia mundo.
agosto 28, 2007
Sugestão televisiva
É mais uma sugestão para o serão televisivo.
Bei sei que ando exagerar com o Youtube. No entanto o "Carteiro toca sempre duas vezes" (The Postman Always Ring Twice), é sem dúvida um dos filmes da minha preferência e na minha opinião uma das melhores interpretações de Jack Nicholson (se é que alguma vez o homem teve más interpretações).
O filme ganha outro motivo de interesse com aquela que considero uma das melhores cenas eróticas do cinema.
Let´s look at the trailler
Seus marotos... não está completo...
O resto fica para mais logo.
No canal 1 da RTP.
agosto 27, 2007
agosto 24, 2007
Bom dia mundo
Absolute Beginners
Ive nothing much to offer
Theres nothing much to take
Im an absolute beginner
And Im absolutely sane
As long as were together
The rest can go to hell
I absolutely love you
But were absolute beginners
With eyes completely open
But nervous all the same
If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean
Just like the films
Theres no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
Its absolutely true
Nothing much could happen
Nothing we cant shake
Oh were absolute beginners
With nothing much at stake
As long as youre still smiling
Theres nothing more I need
I absolutely love you
But were absolute beginners
But if my love is your love
Were certain to succeed
If our love song
Could fly over mountains
sail over heartaches
Just like the films
Theres no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
Its absolutely true
David Bowie
Sem dúvida uma das melhores músicas de sempre.
Juntei a letra porque... faz bem sentir e cantar baixinho.
Bom dia mundo
Temos estradas que não usamos.
Somos loucos.
Lindos e soltos,
Voamos.
agosto 23, 2007
agosto 21, 2007
agosto 17, 2007
World Press Photo 2007
O World Press Photo 2007 está aberto ao público a partir de sexta-feira 17 de Agosto, no Museu da Electricidade, em Lisboa.
Este ano celebra-se a 50ª edição.
São 191 fotografias que podem ser vistas até dia 9 de Setembro.
Veja aqui as premiadas do ano passado.
agosto 12, 2007
DE LUZES APAGADAS
Bem sei que o Dom Quixote ficou de repente transformado naquilo que se parece mais com uma folha de word.
Estou a tratar de novos templates (fronha), para o Dom Quixote.
Entretanto nada de voar muito alto, porque ainda está um calor que não se pode e as asas podem queimar.
agosto 11, 2007
Somos todos poetas
Por que não queres os versos que te nascem
Como rebentos pelo tronco acima?
Por que não queres a inesperada rima
Dos sentimentos?
Olha que a vida tem desses momentos
Que se articulam numa cadência
Tão imprevista,
Que é uma conquista
Da consciência
Não ser um túnel da negação...
Brotam as folhas que são precisas
E outras folhas que o não são
Miguel Torga
agosto 10, 2007
agosto 06, 2007
agosto 05, 2007
julho 31, 2007
Menos encanto na hora da chegada
A verdade alivia mais do que magoa. E estará sempre acima de qualquer falsidade como o óleo sobre a água.
Miguel de Cervantes
julho 25, 2007
Regresso do outro mundo
Quando os regressos são saudáveis, sejam bem-vindos.
É isso que acontece com Palma, que há coisa de 5 anos atrás dizia em Coimbra que tinha escolhido viver mais uns anos...
A prova disso mesmo é a diferença entre o novo Voo nocturno e o seu antecessor.
Palma volta de novo ao sentido das letras e músicas o que constitui uma agradável surpresa naquilo que por vezes dizemos ser a "evolução na continuidade", já que pelo meio parecia ter existido uma quebra entre o homem do piano e o seu público.
Hoje as composições de Palma em Voo nocturno promovem as pazes com os fãs que a meu ver se aproximam do bom velho vilão Palma, dono de uma simplicidade de composição capaz de colocar um qualquer Jeremias fora da lei numa terra dos sonhos. E já se sabe que na terra dos sonhos...
Voo nocturno é um disco que traz de volta o velho Palma escritor de canções, o desconcertante romântico do piano, o eterno homem sorridente das notas soltas.
Não é um caso de mainstream. É o fazedor de canções e de ambientes que está de volta.
julho 24, 2007
No cinema cá de casa
Naqueles passeios mentais, qual sessão privada de cinema emocional, onde há de tudo, dei por mim a passear por essas ladeiras que em tempos foram auto-estradas.
Falo de quando a alegria de momentos passados e que ficam guardados por cá na velha memória, dão lugar à tristeza imensa para depois dar de novo lugar a um misto de saudosismo de momentos bons e dos menos bons.
A democracia ainda nos permite e agora que se volta a falar da liberdade, continuar a ter as sessões privadas de cinema.
Somos apenas os confidentes de nós próprios ou se alguém preferir, apenas um tal deus sabe o que nos vai na alma.
Como a minha relação com deus é de ida e volta, ou seja, eu acredito nele quando ele acreditar em mim, prefiro continuar a dar-me comigo próprio.
A verdade dos sonhos, ou das nossas sessões privadas, é que nada prevalece como ordem única de felicidade do ser humano.
Traços de memórias e de pequenos momentos felizes tantas vezes aclamados por aí, não são comuns e como prova, é a verdade crua e nua da realidade.
De quando nos apercebemos da nossa degradante figura ao acordar do sedativo virtual imposto a nós próprios por aquilo que julgamos ser verdades e amores absolutos.
Por vezes apetece-me ficar apático ao passar do mundo. Deixá-lo ir.
Ver apenas de braços cruzados o filme que nos prepararam.
No cinema cá de casa ainda passam e continuarão a passar as boas e as menos boas recordações, sabendo que estão cada vez mais longe de se tranformarem em chama viva e real mas sabendo exactamente neste gerúndio, que as recordações vão ficando ou ficam e ficam... ou vão ficando.
Bem razão eu tinha para me livrar de alguns traços reais.
Havemos de voltar aqui, um destes dias de verão, quando a esquina deixar de ser esquina de paixão. Quando apenas os nossos filmes forem sabores mais ou menos deliciosos de tempos quase apagados pela crueldade do real.
E se ainda assim tivermos asas, direi que voamos.
Bom dia mundo.
julho 15, 2007
Aquelas férias
No início de Agosto DOM QUIXOTE volta com a mesma força de antigamente.
Até lá despeço-me cordialmente com votos de boas férias para... mim.
Mas também boas férias para todos que gostem de voar.
Temos estradas que não usamos
Somos loucos
Lindos e soltos
Voamos.
julho 09, 2007
De corpo e alma
Realizou-se no passado dia 30 de Junho o jantar de antigos locutores da Rádio Torre de Moncorvo.
A ideia partiu de dois "carolas" bons amigos.
Entretanto a ideia do jantar que penso que deve manter-se como jantar anual, materializou-se em formato video e fotografia.
Deixo desde já o link onde podem visitar as "fronhas" dos amigos da rádio.
Um grande abraço a todos os amigos do velho éter.
Para o ano vou estar presente pela certa.
Voamos?
julho 08, 2007
julho 03, 2007
no bolso para as férias
Já se encontra disponível a nova colecção de bolso da Relógio d`Água.
A biblioteca de bolso conta com algumas preciosidades, entre elas, o espantoso Dom Quixote de la Mancha (em dois volumes), também com tradução de José Bento.
Há coisas fantásticas, não há?
A todos a desculpa pela fraca actualização deste espaço.
Por vezes ainda penso que voamos mas nem sempre temos o feedback disso mesmo.
Bom dia mundo.
julho 02, 2007
junho 26, 2007
acidente
Não gosto de mesas de vozes em série,
nem de brindar à saúde de quem não conheço.
À semelhança deste homem que circunspecto
assiste, prefiro o silêncio das salas vazias.
Depois de o prato, a faca, a colher
e o garfo terem sido removidos da mesa,
ficamos sós com as nossas memórias,
trespassados pela luz
de uma lâmpada de sessenta watts
que de súbito emudece.
Na margem de um estremecimento
acende outro cigarro.
Nos vidros a chuva vigia.
Jorge Gomes Miranda in Acidente
junho 20, 2007
ainda a Metafísica dos tubos
."..Qual é a diferença entre os olhos que têm um olhar e os olhos que o não têm? Essa diferença tem um nome: vida. A vida começa onde o olhar começa."
Amélie Nothomb
Somos lindos,
soltos voamos.
junho 18, 2007
junho 14, 2007
O dia em que a poesia morreu
O crime do século aconteceu.
Alguém matou a poesia.
Apareceu algures numa dessas ruas esquecidas, já desmembrada.
Chorava de dor enquanto pedia socorro a outra mão alheia.
Não foi identificada de imediato, tal o seu maltratado estado.
A autópsia revelou o crime macabro.
Poesia foi expulsa do amor entendido por olhares cumplices. Depois foi usada por todos, quando supostamente era reservada.
Por fim, foi deixada ao acaso naquela rua.
O dia em que a poesia morreu, não ficará na memória de todos. É como o amor não correspondido. Vive apenas num dos lados do mundo.
Porque o amor só acontece uma vez na vida, é possível assassiná-lo, assim o queira a inteligência, derrotar a vontade.
junho 12, 2007
Porque os amigos nunca se esquecem
E já passou um ano.
Hoje no teu aniversário, volto a escrever no velho diário.
Não um ano de ausências, porque imagens e memórias jamais são ausências.
Onde quer que estejas, estarás sempre no meu coração, naquele lugar especial reservado aos bons amigos.
Daqui deste lado do mundo, um abraço ao amigo eterno.
junho 07, 2007
junho 06, 2007
Ainda o amor
[...] O amor perdeu a gratuidade, as pessoas"amam" por desejo de ter um amor que não sentem mais. O amor não tem mais porto, não tem onde ancorar, não tem mais a família nuclear para se abrigar, não tem mais a utilidade do sacríficio pelo "outro". Amor ficou pelas ruas, em busca de objeto, esfarrapado, sem rumo. Não temos mais músicas românticas, nem o lento perder-se dentro de "olhos de ressaca", nem nas "pernas de fulana", nem temos as bocas beijadas por amantes tutti tremanti, nem o formicida com guaraná.
Não se diz mais: "Deus sabe quanto amei!..." mas "Deus nem sabe quantos (as) amei...".
A publicidade devastou o amor, falando na "gasolina que eu amo", no sabonete que faz amar, na cerveja que seduz. Há uma obscenidade flutuante no ar o tempo todo, uma propaganda difusa do sexo impossível de cumprir. Como comer todas as moças de lingerie e do xampu, como atingir um orgasmo pleno e definitivo? A sexualidade é finita, não há mais o que inventar. Já o amor, não... O amor vive da incompletude e esse vazio justifica a poesia da entrega. Ser impossível é a sua grande beleza.
Claro que o amor é também feito de egoísmos, de narcisismos mas, ainda assim, ele busca uma grandeza [...]
Arnaldo Jabor in Amor é Prosa Sexo é Poesia
Bom dia mundo.
Voamos.
maio 29, 2007
bom dia mundo
Fiz uma promessa pessoal.
Afastar-me, pelo menos neste blogue, de escrever sobre a actualidade e assuntos de proximidade.
No entanto deixo uma outra promessa.
Não vou perder a alma e isso nos tempos que correm vale muito.
Perto do fim mas sem nunca perder o rumo, muito menos o tino.
Bom dia mundo.
maio 28, 2007
Um só mundo
Que queimem todos os rastos de fantasia,
coincidências e cumplicidades.
Queimar em todas as fogueiras da alma,
todas as palavras inúteis.
Todas as poesias,
todas as flores oferecidas e esquecidas.
Apagar o ontem amolecido.
Não esquecer.
Aprender o erro,
e resto que foi esquecido
Não existe o outro lado do mundo.
Existe a mera e pura realidade,
um só mundo sem verdade.
maio 25, 2007
Sugestões
Se a vida fosse perfeita, para mim era uma história em banda desenhada cómica.
Esse é o principal conceito de vida.
A fantasia, a criatividade, o movimento, a alegria que contagia a cada sopro de acção.
Quem não pensa a vida com sorriso, então não sabe viver, por isso mesmo é que as relações entre as pessoas são cada vez menos duradouras. Por não saberem inovar entre sorrisos.
É o que eu penso e como tal partilho com vocês antes deste fim-de-semana os meus pensamentos e minhas escolhas.
Por falar em fantasia, não percam o terceiro filme da série Pirata das Caraíbas. Nos confins do Mundo.
Ainda não tive oportunidade de ver este terceiro filme mas as críticas consideram-no muito fraco mas isto dos críticos já se sabe, é sempre melhor ver para crer porque pelos críticos, muitos não veriam Babel.
Está também no cinema Zodiac de David Fincher. Um filme inquietante, desconfortante. Uma visão alucinada sobre o alucinado assassínio que se auto apelidou de Zodiac. A propósito a editora Magnólia já tem disponível o livro.
Os grandes discos são aqueles que vamos descobrindo aos poucos.
TENHO DE VOLTAR A RECOMENDAR o disco de Wray Gunn, SHANGRI-LA. Muito mais soul que Gosphel, muito mais excelentes arranjos vocais femininos. Puramente Rock n´Roll no que continuo a considerar até ao momento o melhor disco português deste ano e lembro que já sairam coisas muito interessantes.
Nos livros destaco a edição da Antígona para Homenagem à Catalunha de George Orwell.
Destaco ainda MULHERES QUE LÊEM SÃO PERIGOSASAS. Um albúm da Quetzal que mostra a relação das mulheres com a leitura.
Acaba por tornar-se interessante tendo em conta uma reportagem que li sobre mulheres escritoras, que por norma eram tidas em muito má conta pela sociedade, já que se associavam as ideias e os iluminismos ao sexo masculino.
Jane Austen foi um exemplo de luta feminina.
Bom fim de semana... voamos?
maio 24, 2007
maio 22, 2007
maio 21, 2007
sem poesia
Quantas vezes te disse AMO-TE?
As suficientes para me considerares um doente?
Um recluso sem fuga, condenado ao primeiro beijo?
Qual foi a última vez que te disse AMO-TE?
Será que te lembras tu dessa última vez?
Ou foram tantas as vezes, que nem te lembras?
Será que o guardaste dentro de uma caixa?
Vão morrer aí?
Efeitos secundários da poesia V
Porque somos diferentes.
"Regionais" mas ainda assim com uma alma do tamanho do mundo.
maio 18, 2007
Efeitos secundários da poesia IV
...and so it is
just like you said it would be
life goes easy on me
most of the time
and so it is
the shorter story
no love no glory
no hero in her skies
i can't take my eyes off of you
and so it is
just like you said it should be
we'll both forget the breeze
most of the time
and so it is
the colder water
the blower's daughter
the pupil in denial
i can't take my eyes off of you
did I say that I loathe you?
did I say that I want to
leave it all behind?
i can't take my mind off of you
my mind
'til I find somebody new
Damien Rice
Se um dia houver uma explicação lógica para dois mundos.
Voamos






